
Santa Maria da Feira lança festival literário Miolo para cruzar literatura e pensamento
13/08/2026
Santa Maria da Feira vai receber, entre 25 e 27 de setembro, a primeira edição do Miolo, um novo festival literário que parte do mote “Do interior do livro ao interior do pensamento” para aproximar a literatura de áreas como a filosofia, a política, a sociologia, a ciência, o design e a música.
Promovido pelo Município de Santa Maria da Feira, o festival terá como palco a Biblioteca Municipal e será de entrada livre, embora seja necessária reserva individual de lugar para cada sessão. As inscrições deverão abrir no início de setembro.
O cartaz da primeira edição ainda está a ser finalizado, mas a organização já confirmou a presença de nomes nacionais e internacionais, entre os quais a urbanista e promotora cultural norueguesa Anne Beate Hovind, a escritora espanhola Clara Usón e o designer e ilustrador espanhol Isidro Ferrer. Entre os convidados portugueses estarão o advogado e ex-governante Adolfo Mesquita Nunes, a dramaturga Joana Bértholo e o escritor Gonçalo M. Tavares.
Um festival para pensar a partir dos livros
“O Miolo nasce da convicção de que uma política cultural deve também criar tempo e espaço para pensar”, afirma o vereador da Cultura, Paulo Marcelo, citado pela Lusa.
A literatura será o ponto de partida para um programa que pretende colocar em diálogo diferentes áreas do conhecimento e promover o confronto de ideias. “Queremos que Santa Maria da Feira tenha um encontro onde a literatura abre espaço às perguntas da ciência, da filosofia e da política, e às formas do design e da música”, explica o responsável.
O festival não seguirá uma lógica exclusivamente editorial ou comercial. A proposta passa por promover a pluralidade de visões e o debate, através de convidados escolhidos pelos diferentes percursos e pela capacidade de acrescentarem novas perspetivas às discussões.
“Será um programa de pensamento e debate a partir de temas literários e da atualidade”, sublinha Paulo Marcelo, defendendo que os encontros deverão deixar na plateia “ideias que permaneçam para além do festival”.
Três dias, três movimentos
A programação dos três dias será organizada em torno de três conceitos: “dar forma”, “pensar” e “narrar”.
O primeiro dia, 25 de setembro, será dedicado a “dar forma”, acompanhando o nascimento de uma ideia e os processos que lhe dão linguagem, imagem ou matéria.
No dia 26, o foco estará em “pensar”, com uma reflexão sobre a atualidade e sobre as forças que estão a transformar o presente.
O último dia, 27 de setembro, será dedicado a “narrar”, regressando à literatura e à sua capacidade de guardar a memória, reabrir questões que pareciam encerradas e imaginar realidades que ainda não existem.
A organização pretende que cada encontro parta da literatura para aprofundar uma questão, confrontar diferentes perspetivas e questionar aquilo que parece evidente.
Convidados de diferentes áreas
Entre os nomes internacionais já confirmados está Anne Beate Hovind, conhecida pelo trabalho desenvolvido na área do desenvolvimento urbano e pela promoção de projetos que cruzam arte, arquitetura e espaço público. É também curadora e produtora do projeto “Future Library 2014-2114 / Biblioteca Futura”, concebido pela artista escocesa Katie Paterson, que prevê a reunião de um manuscrito inédito por ano até 2114, para formar uma antologia de 100 textos de escritores, poetas e pensadores do século XXI.
Clara Usón, que exerceu advocacia durante 18 anos antes de se dedicar à literatura, é atualmente considerada uma das vozes marcantes da literatura contemporânea espanhola e conta com uma obra distinguida por vários prémios.
Já Isidro Ferrer é reconhecido pelo seu trabalho no panorama gráfico espanhol, desenvolvendo uma obra situada entre o design, a ilustração, a poesia visual e o objeto escultórico.
Entre os convidados portugueses, Adolfo Mesquita Nunes, antigo deputado e secretário de Estado do Turismo, é atualmente advogado, administrador de empresas e professor, com trabalho ligado às políticas públicas e à regulação da inteligência artificial.
Joana Bértholo, autora de romances, contos, ensaios e obras para teatro e dança, explora temas como o capitalismo contemporâneo, a crise climática e a relação entre o ser humano e o mundo natural.
Por sua vez, Gonçalo M. Tavares, vencedor do Prémio Saramago em 2005, tem uma obra traduzida em mais de 60 países e adaptada a diferentes linguagens artísticas, incluindo teatro, rádio, cinema e ópera.
Exposições, espetáculos e atividades para várias gerações
Além dos debates e encontros com escritores e pensadores, o programa incluirá exposições, espetáculos e atividades de mediação, procurando envolver diferentes gerações e pessoas com diferentes relações com a leitura.
A proposta é abordar temas complexos de forma próxima e acessível, sem retirar profundidade às questões colocadas.
“Será um encontro literário de pensamento, onde os livros não encerram assuntos – abrem é a discussão”, resume Paulo Marcelo.
Com a primeira edição do Miolo, Santa Maria da Feira procura assim criar um novo espaço de encontro em torno da literatura e do pensamento, colocando os livros como ponto de partida para discutir o mundo contemporâneo.







