Casos de covid estão a aumentar a pouco mais de um mês do Natal

16/11/2021

Os dados divulgados esta terça-feira, apontam para uma incidência de infeções com SARS-CoV-2 nos últimos 14 dias a voltar a subir em Portugal, estando agora nos 156,5 casos por 100 mil habitantes, assim como o índice de transmissibilidade (Rt) do vírus que passou para 1,16. A pouco mais de um mês do natal, os novos casos de covid estão assim a aumentar diariamente e há especialistas que apontam para que possam chegar aos 3 mil e 500 por dia na época das festas. Nesse sentido, apelam à cautela e cuidados redobrados, que passam pelo regresso da obrigatoriedade para o uso de máscara em espaços fechados e em grandes eventos. Tudo isto numa altura em que a terceira dose da vacina contra a covid-19, dá sinais de estar atrasada. 

O número de casos de infeção com SARS-CoV-2 estão a aumentar e a deixar toda a gente em alerta. A pouco mais de um mês do natal, há especialistas que apontam para que possam chegar aos 3 mil e 500 por dia na época das festas. Mas, e apesar do cenário não ser o mais favorável, o epidemiologista e médico de saúde pública, Ricardo Mexia, já admitiu que as famílias possam vir a estar juntas neste Natal, mas alerta para os cuidados a ter de modo a evitar erros do passado. “Se toda a família estiver vacinada, se adotarem alguns comportamentos, como proteger as pessoas mais vulneráveis, eu acredito que possa haver um convívio diferente do que tivemos no último Natal”, assegurou em declarações à Antena 1.

Virologista Pedro Simas garante que “já não há pandemia”

Mas este é um tema que não merece consenso entre os especialistas. O virologista Pedro Simas garante mesmo que “já não há pandemia”, acrescentando que, neste momento, “há uma estabilidade de infeção muito grande”. Para o especialista, que deu uma entrevista à SIC Notícias, o coronavírus “já não tem capacidade de disseminação pandémica”. Nesse sentido diz não ser necessário o regresso ao teletrabalho, até porque, “tendo construído uma imunidade de grupo de quase 90%, tendo os grupos de risco protegidos, é quase impossível que haja um aumento exponencial de casos”, afirma.

Quem também alinha pelo mesmo diapasão e não entra em alarmismos é o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, que defende que, para já, a pandemia não inspira novos confinamentos, no entanto, deixo recado para que se tome atenção redobrada às fronteiras, de forma a evitar a entrada de pessoas sem nenhum controlo. À TSF, Miguel Guimarães considera ainda que é preciso saber mais sobre quem está a ter doença grave e a morrer devido à covid-19. “Nós precisamos de saber se as pessoas que estão internadas ou que morrem estão, ou não estão, vacinadas, e com que vacina, já agora, que doenças associadas têm”. O médico sustenta ainda que é preciso “saber se o perfil das pessoas que estão a ter gravidade na doença se mantém semelhante ao que era antes da vacinação ou se está a haver alguma alteração que nos alerte para determinado tipo de situações”. Assim, o bastonário incita a Direção-Geral da Saúde a dar conhecimento de todos os dados aos portugueses.

Governo vai ouvir especialistas

Mas, da parte do Governo, já soam as campainhas, e o primeiro-ministro assumiu que Portugal vai ter de “agir já“ para evitar a escalada de casos de covid-19. António Costa excluiu, para já, o regresso ao estado de emergência e não quis antecipar a retoma do teletrabalho. No entanto, Costa confirmou aos jornalistas que a atual conjuntura pandémica, aliada ao inverno e à aproximação do Natal, obriga a que o país reavalie as medidas de proteção. Nesse sentido, esta sexta-feira o Governo irá reunir com os especialistas para avaliar que medidas a tomar.

Entretanto, o relatório epidemiológico divulgado hoje confima nove mortes, num total de 18.274, mais 16 internados, num total de 486, e quatro em cuidados intensivos, para um total de 80. O número de pessoas infetadas pela doença nas últimas 24 horas foi de 1693, no entanto o número de recuperados foi supeiror e há neste momento 38.272 casos ativos.  

Na região das Terras de Santa Maria, Arouca é o concelho que apresenta o pior cenário, com 315 casos por 100 mil habitantes, segue-se Vale de Cambra (174), Oliveira de Azeméis (123), S. João da Madeira (109), Santa Maria da Feira (93) e Espinho (88).

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